Vanessa Neri
23/10/2008
Condições fisiológicas e motivadoras consistem em
elementos de suma importância para que ocorra a aprendizagem.
Entretanto, é vital levarmos em consideração outros aspectos
relevantes, tais como analisar os elementos que se acham mais
relacionados com os métodos de aprendizagem dirigida. A natureza da
tarefa a ser aprendida influi na aprendizagem, em outras palavras,
podemos dizer que a dificuldade empregada, a semelhança, o grau de
motivação do aluno para aprender determinada informação, são pontos
realmente culminantes para a aprendizagem. Todavia, os métodos de
estudo, assim também a duração das atividades são fatores decisivos
para que ocorra ou não a aprendizagem.
O significado do material a ser aprendido tem importância relevante
quando o assunto é rapidez da aprendizagem. A determinação do
significado não está confinada à aprendizagem de material verbal,
apenas. Várias pesquisas sobre problemas perceptuais-motores, tais
como quebra-cabeças, têm evidenciado a importância da compreensão
de movimentos, relações especiais etc. para maior eficiência da
aprendizagem. O que podemos notar é que quanto mais significativo o
material a ser aprendido, mais rápida será a aprendizagem e a
tenacidade da retenção.
Existem elementos que contribuem para emprestar
significado ao material a ser apreendido. Na observação de tais
elementos, é válido citar em primeiro a riqueza de associações com
os termos, objetos, idéias envolvidas na aprendizagem. O termo
técnico torna-se significativo à medida que é definido e
redefinido, que é relacionado com outras palavras e conceitos já
conhecidos. Na escola primaria, a aprendizagem da leitura requer o
reconhecimento e associação de símbolos arbitrariamente escolhidos,
com sons adquiridos anteriormente. O aprendiz não deve ser levado a
aprender algo que não entende, ou algo em que não seja capaz de
encontrar significação. Uma criança deve conhecer bem o significado
de uma palavra, para depois aprender a escrevê-la e
lê-la.
Outro elemento que contribui para a aprendizagem é a
forma, ou organização do material a ser aprendido. Materiais bem
organizados e com padrões nítidos é muito mais facilmente aprendido
e lembrado, que uma matéria não organizada ou não estruturada.
Basta que o aprendiz perceba a forma, a estrutura do que deve ser
aprendido e a aprendizagem ocorrerá rapidamente. O desenvolvimento
da compreensão consiste, freqüentemente, em descobrir ou impor
organização, ou padrões à experiência. Esquematizar, como recurso
para facilitar a formação de padrões novos para estruturação do
material a ser aprendido, facilita muito a aprendizagem. A
aprendizagem da leitura por conteúdos lógicos e não por palavras ou
sílabas comprovam os argumentos
apresentados.
Outro ponto fundamental é observar quanto ao significado,
se perguntar para que, qual a utilidade do material a ser
aprendido. A utilização de problemas e projetos no ensino torna a
aprendizagem mais significativa, em grande parte, porque as
informações, habilidades e técnicas são aprendidas no contexto de
seu uso. É válido observar que fatos isolados são relativamente sem
significado, pois adquirem significado e importância no contexto da
vida, isto é, o material a ser aprendido deve relacionar-se,
particularmente, às necessidades, desejos, interesses, enfim
satisfazer às motivações do aprendiz, afim de que ele possa
descobrir a utilidade daquilo que aprende.
Na literatura especializada, tem sido dada considerável
atenção ao problema da aprendizagem pelo método parcial ou pelo
global. O método global consiste em o aluno ler e reler o material
até que possa ser repetido. Na aprendizagem da leitura, o aluno
aprende primeiro um texto escrito. À medida que contacta com o
texto que já decorou, vai-se apercebendo a par e passo e à medida
das suas capacidades, das suas partes componentes, tirando as suas
conclusões. É natural que a pouco e pouco e por ele comece a
identificar palavras que lhe aparecem em todos e depois em alguns
dos textos que já decorou. E assim comece a ler sozinho algumas
palavras e mesmo algumas pequenas frases, que tendo algumas
palavras que já conhece e outras que não conhece, conclua pelo
sentido a frase completa que dirá. E o aluno começa a ler quase
sozinho. Pelo método parcial, o material é aprendido por partes. O
aluno não aprende tudo de uma vez, mas antes ele aprende por
partes, no caso de um poema, ele aprende estrofe por estrofe.
Depois toma a parte seguinte e a estuda até que possa repeti-la e
assim, sucessivamente, até que cada parte da divisão seja dominada.
Têm-se encontrado diferenças a favor de ambos ou de uma combinação
dos dois.
Estudos apontaram que o método parcial apresentou
melhores resultados, entretanto, outros estudos não indicam maiores
diferenças entre ambos. Estudos mostram que o nível mental dos
alunos influencia a eficácia dos dois métodos. Entretanto, o método
parcial propicia ao aprendiz o conhecimento visível de seu
progresso. Já pelo método global, o aluno demora a ver seu
progresso. O interessante é agregar os dois métodos, primeiro vem o
todo, ou seja, depois da apresentação global do material (como por
exemplo, um texto), este deverá ser fragmentado em pedaços menores,
para um estudo detalhado.
A prática pedagógica, como fator ou condição que
influência na aprendizagem, compreende dois elementos importantes,
a saber, a duração do período de prática e a freqüência da prática,
ou exercício necessário para o aluno obter o maior progresso na
habilidade, ou no conhecimento a ser dominado. Embora cada tipo de
aprendizagem determine certa variação na extensão e na freqüência
de período de prática, várias conclusões são atingidas através de
pesquisas realizadas. As práticas distribuídas resultam em várias
montagens, estudos comprovam considerável evidência de que o tempo
é um fator na aprendizagem. Pois ao que parece acontece algo
durante o período de repouso, principalmente, após a prática, que
influencia a consolidação e retenção daquilo que foi praticado ou
aprendido. As evidências mostram claramente que algum tipo de
espaçamento e repetições facilita a aprendizagem e tem efeito
favorável sobre a retenção.
Para a evocação imediata, repetições maciças são tão
eficientes como as espaçadas, mas para a retenção após um período
de tempo a história diferente, pois à medida que as repetições
aumentam, o conhecimento adquirido é esquecido rapidamente. Deve-se
levar em conta o controle, o excesso de repetição, sem haver uma
distribuição eficaz do tempo em tais repetições, isto é, um
exaustivo esforço sem intervalos para descanso, a aprendizagem é
ineficaz, pois os conhecimentos obtidos serão rapidamente
esquecidos. O mesmo ocorre quando o aprendiz é submetido a um longo
intervalo entre as repetições, visto que o mesmo acabará esquecendo
o material aprendido.
A superaprendizagem pode ser definida como uma prática
adicional, depois que a aprendizagem foi completada. Estudos
comprovam que a superaprendizagem resulta em melhor retenção e que
é mais retida por períodos mais longos, do que se o exercício
cessasse no ponto inicial da aprendizagem. As vantagens da
superaprendizagem dependem do completamento da aprendizagem
inicial. Assim, a superaprendizagem deve limitar-se à metade, ou ao
dobro do número de repetições requeridas para a aprendizagem
original. Todavia, vale à pena notar que a superaprendizagem não
deve consistir em mera repetição de memória. Deve ser também
realizada pela revisão do material, pela recitação para si própria,
pelo emprego em novos contextos, ou pela leitura de material
semelhante em outros textos.
Portanto, podemos concluir que o grau de dificuldade e a
extensão dos assuntos são de fundamental importância para a
aprendizagem. Assim também é preciso levar em conta a significação
que o material de aprendido tem para o aprendiz, visto que nenhum
aluno deve ser levado a aprender algo que não entende, ou mesmo que
não possua a capacidade de encontrar significação. O material a ser
aprendido deve relacionar-se, particularmente, às necessidades,
desejos e interesses do aprendiz, para que ele possa descobrir a
utilidade daquilo que aprende. Observando sempre o método
utilizado, sendo ele global ou parcial, o que deve ser levado em
conta é relacionar tais métodos para a retenção do material
aprendido.
Referência
In: CAMPOS, Dinah M. de Souza, Psicologia da
Aprendizagem, Cap. XI, 17ª Ed, Petrópolis Vozes
1985.
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